CHOMSKY – O TIPO DE ANARQUISMO EM QUE ACREDITO E O QUE HÁ DE ERRADO COM OS LIBERTÁRIOS

Noam Chomsky é um linguista, filósofo e ativista político norte-americano. Atingiu visibilidade como um dos principais (talvez o mais importante atualmente) profissionais da área linguística, enquanto professor no MIT. Chomsky é um dos pensadores mais importantes da atualidade, e vem sendo usado como referência para diversos movimentos de libertação.

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O texto a seguir é uma versão adaptada da entrevista originalmente publicada na revista Modern Success.

O tipo de anarquismo em que acredito e o que há de errado com os libertários*.
(The Kind of Anarchism I Believe in, and What’s Wrong with Libertarians)

Como tantas coisas já foram escritas e ditas pelo Prof. Chomsky, foi um desafio pensar em algo novo a perguntar a ele: como o avô para o qual você não sabe o que dar de Natal porque ele já possui tudo.

Portanto eu escolhi ser um pouco egoísta e perguntar lhe algo que sempre quis perguntar. Como um anarquista declarado, verdadeiro, vivo e respirando, eu queria saber como ele conseguia se alinhar a uma posição tão controversa e marginal.

Michael S. Wilson:
Você é, entre outras coisas, um auto intitulado anarquista — mais especificamente um anarcossindicalista. A maioria das pessoas pensam em anarquistas como punks marginais que atiram pedras em lojas de departamento, ou homens mascarados atirando bombas redondas em industriais gordos. Essa visão corresponde à realidade? O que anarquia significa para você?

Noam Chomsky:
O anarquismo é basicamente, em meu ponto de vista, um tipo de tendência no pensamento humano que se apresenta de diferentes formas em diferentes circunstâncias, e que possui algumas características principais. Primeiramente é uma tendência que é cética a respeito da dominação, da autoridade e da hierarquia. Ele procura por estruturas de hierarquia e dominação na vida humana em todo o seu espectro, se estendendo desde, digamos, famílias patriarcais até sistemas imperiais, e se pergunta se esses sistemas se justificam. Ele assume que o ônus da prova para qualquer pessoa em uma posição hierárquica cabe a ela. Sua autoridade não se auto-justifica. Eles têm que dar uma razão para isso, uma justificativa. E se eles não podem justificar essa autoridade, esse poder e esse controle, o que geralmente é o caso, então a autoridade deve ser desfeita e substituída por uma organização mais livre e mais justa. E, como eu entendo, o anarquismo é apenas essa tendência. Ele assume formas diferentes em épocas diferentes…

O Anarcossindicalismo é uma forma particular de anarquismo que se preocupa primeiramente, não exclusivamente, mas primeiramente com o controle sobre o trabalho, sobre o local de trabalho, sobre a produção. Ele assume que os trabalhadores deveriam ter o direito de controlar o seu trabalho, suas condições, [que] eles deveriam controlar as empresas em que trabalham, assim como as comunidades, de forma que eles deveriam se associar uns aos outros em associações livres, e a … democracia dessas instituições deveria ser o elemento fundante de uma sociedade mais livre em geral. E então, você sabe, foram desenvolvidas ideias sobre como isso deveria se realizar, mas acredito que este seja o essencial do pensamento anarcossindicalista. Quero dizer, de forma alguma é aquele quadro geral que você pintou — de pessoas correndo pelas ruas, você sabe, quebrando janelas de lojas — mas o anarcossindicalismo é a concepção de uma sociedade bem organizada, mas organizada desde baixo com participação direta em todos os níveis, com tampouco controle e dominação quanto praticáveis, de preferência nenhum.

Wilson:
Com o aparente desaparecimento do Estado capitalista, muitas pessoas estão procurando por outras formas de alcançarem sucesso, de viverem suas vidas, e eu estou imaginando o que você diria que a anarquia e o sindicalismo têm a oferecer, coisas que outras ideias — digamos, por exemplo, o Estado socialista — falharam em oferecer? Por que deveríamos escolher a anarquia ao invés de, digamos, o libertarianismo?

Chomsky:
Bem aquilo que é chamado de libertário nos Estados Unidos, o que é um fenômeno especialmente restrito, não existe em nenhum outro lugar — em pequena parte na Inglaterra — permite um alto nível de autoridade e de dominação nas mãos do poder privado: portanto o poder privado deve ser permitido a fazer aquilo que quiser. O ponto de vista assumido é o de que, por algum tipo de mágica, o poder privado irá nos levar a uma sociedade mais livre e mais justa. Na verdade já se acreditou nisso no passado. Em Adam Smith, por exemplo, um de seus principais argumentos em favor dos mercados foi a de que sob condições de liberdade perfeita, os mercados levariam à igualdade perfeita. Bem, nós não precisamos falar sobre isso! Este tipo de —

Wilson:
Que é uma controvérsia recorrente hoje em dia …

Chomsky:
Sim, tanto é assim que este tipo de libertarianismo, a meu ver, no mundo atual, é apenas uma chamada para um dos piores tipos de tirania, a saber a tirania privada sem restrições. O anarquismo é bastante diferente disto. Ele é um chamado pela eliminação da tirania, de todos os tipos de tirania. Incluindo o tipo de tirania que acontece na concentração do poder privado. Portanto por que deveríamos preferi-lo? Bem eu acho que é porque liberdade é melhor que subordinação. É melhor ser livre do que ser escravo. É melhor ser capaz de tomar suas próprias decisões do que ter outra pessoa para tomá-las e obrigá-lo a observá-las. Quero dizer, eu realmente acho que você não precisa de justificativa para isso. Parece uma coisa … transparente.

A questão que precisa de uma explicação, e deve dar uma, é “Como melhor podemos caminhar nesta direção?” E existem muitos caminhos para isso na sociedade atual. Uma forma, incidentalmente, é através do uso do Estado, ao ponto em que seja democraticamente controlado. Quero dizer que, a longo prazo, os anarquistas gostariam de ver o Estado extinto. Mas ele existe, lado a lado com o poder privado, e o Estado está, pelo menos até certo ponto, sob o controle e influência públicos — entretanto poderia ser muito mais. E ele possui dispositivos para restringir as forças muito mais poderosas do poder privado. Regras para a segurança e para a preservação da saúde no ambiente de trabalho, por exemplo. Ou garantindo que as pessoas possam dispor de cuidados de atenção à saúde, por exemplo. Muitas outras coisas como estas. Elas não existiriam se dependêssemos apenas do poder privado. Muito pelo contrário. Mas elas podem vir a existir através do uso do Estado sob mínimo controle democrático … para levar adiante medidas reformistas. Eu acho que essas são coisas boas de se fazer. eles deveriam estar lutando por algo muito maior, muito além disso, — na verdade por uma democratização verdadeira de escala muito maior. E isso não é possível apenas de se pensar, mas de se trabalhar a favor. Portanto um dos principais pensadores anarquistas, Bakunin, no século XIX, afirmou que era possível construir as instituições da sociedade futura dentro da sociedade atual. E ele estava falando de uma sociedade bem mais autocrática que a nossa. E isso está sendo feito. Então, por exemplo empresas controladas pelos trabalhadores e pelas comunidades, são germes de uma sociedade futura dentro da atual sociedade. E estas não apenas podem, como estão sendo desenvolvidas. Há um trabalho importante a esse respeito sendo realizado por Gar Alperovitz que está envolvido nos sistemas de empresas ao redor de Cleveland que são controladas pelos próprios trabalhadores ou suas comunidades. Há muita discussão teórica acerca de como fazer a coisa funcionar, escrita por várias fontes. Uma das ideias mais elaboradas estão naquilo que é chamado de “parecon” — economia participativa — em sua literatura e discussões. E existem outras. Estas estão no plano de abstração e planejamento. E no nível da implementação prática, existem passos que podem ser tomados, ao mesmo tempo em que devemos fazer pressão para superar os piores … os maiores danos … causados pela … concentração do poder privado através do uso do sistema de Estado, enquanto o sistema atual ainda exista. Portanto não existe escassez de objetivos a perseguir.

Quanto ao socialismo de estado, depende do que a pessoa quer dizer com o termo. Se for uma tirania do gênero bolchevique (e dos seus descendentes), não precisamos perder tempo com isso. Se for um Estado social democrata mais expandido, então se aplicam os comentários acima. Se for qualquer outra coisa, então o quê? Estará ele colocando o processo decisório nas mãos dos trabalhadores e das comunidades, ou nas mãos de alguma autoridade? Se for a última opção, então — mais uma vez — a liberdade é melhor do que a subordinação, e a última alternativa carrega um fardo pesado para justificar.

Wilson:
Muitas pessoas o conhecem por causa do desenvolvimento do Modelo de Propaganda de sua autoria em parceria com Edward Herman. Você poderia descrever sucintamente este modelo e por que ele pode ser importante para os estudantes [universitários]?

Chomsky:
Vamos fazer uma pequena retrospectiva — uma pequena contextualização histórica — no final do século XIX,. começo do século XX, uma larga parcela de liberdade havia sido conquistada em algumas sociedades. No topo de tudo isso estavam os Estados Unidos e a Grã Bretanha. De forma alguma poderiam ser consideradas sociedades livres, mas em termos comparativos eram bastante avançadas a esse respeito. De fato eram tão avançadas, que os sistemas de poder — estatal e privado — começaram a reconhecer que as coisas haviam chegado a um ponto onde eles não podiam controlar a sociedade tão facilmente quanto antes e então tiveram que recorrer a outros meios de controle. E o outro meio de controle se constituía no controle das crenças e atitudes. A partir disso nasceu a indústria de Relações Públicas, que naqueles dias se descrevia honestamente como uma indústria de propaganda.

O guru da indústria de RP, Edward Bernays — incidentalmente, ele não era um reacionário, mas um liberal do gênero Wilson-Roosevelt-Kennedy — o livro de estreia da indústria de RP que ele escreveu nos anos 1920 se chamava Propaganda. E neste livro ele descrevia, corretamente, o objetivo da indústria. Ele dizia que seu objetivo era garantir que a “minoria inteligente” — e é claro, qualquer pessoa que escreva esse tipo de coisa faz parte dessa minoria inteligente por definição, por estipulação, então nós, a minoria inteligente, somos as únicas pessoas capazes de realizar coisas, e existe aquela grande população lá fora, a “massa fedida”, que, se forem deixados por conta irão apenas se meter em problemas: então nós temos que, da forma que ele colocou, “trabalhar o seu consentimento”, buscar formas de garantir o seu consentimento ao nosso jugo e dominação. E este é o objetivo da indústria de RP. E ele funciona de várias formas. Seu primeiro compromisso é com a propaganda comercial. De fato, Bernays se tornou famoso justamente nesta época — no final dos anos 20 — ao realizar uma campanha de propaganda para convencer mulheres a fumarem cigarros: as mulheres não estavam fumando cigarros, este grupo enorme de pessoas que a indústria do tabaco não é capaz de matar, então precisamos fazer algo a respeito. Ele então realizou campanhas muito bem sucedidas que convenceram as mulheres a fumarem cigarros: que aquilo seria, em termos modernos, a coisa maneira a se fazer, você sabe, esta é a forma de você se tornar uma mulher moderna e liberal. Ela fez enorme sucesso —

Wilson:
Existe alguma relação entre essa campanha e o que está acontecendo hoje com a grande indústria petrolífera e as mudanças climáticas?

Chomsky:
Estes são apenas alguns exemplos. Essa foi a origem daquilo que se tornou uma grande indústria de controle de comportamentos e de opiniões. Hoje a indústria petrolífera e, de fato, o comércio mundial de modo geral, estão engajados em campanhas comparáveis que tentam minar esforços para lidar com um problema que é ainda maior que o assassinato em massa causado pela indústria do cigarro; o que se tratou mesmo de um assassinato em massa. Nós estamos enfrentando uma ameaça, uma ameaça séria, de mudanças climáticas catastróficas. Isso não é brincadeira. E [a indústria petrolífera está] tentando impedir medidas para lidar com isso por conta de seus interesses de curto prazo. E isso não inclui apenas a indústria petrolífera, mas a Câmara Americana do Comércio — o principal lobby comercial — entre outros, que declararam bastante abertamente que estão conduzindo … eles não chamam isso de propaganda … mas o que correspondem a campanhas de propaganda para convencer as pessoas de que não existe perigo real e que não deveríamos fazer muito a esse respeito, e de que deveríamos nos concentrar em coisas realmente importantes como o déficit e o crescimento econômico — ou aquilo que eles definem como “crescimento” — e não nos preocuparmos com o fato de que a espécie humana está caminhando em direção a um abismo que pode se constituir em algo como a destruição da espécie [humana]; ou pelo menos a destruição da possibilidade de uma vida decente para uma grande parte das pessoas. E existem muitas outras correlações.

De fato, geralmente a propaganda comercial é fundamentalmente um esforço para sabotar mercados. Nós devemos reconhecer isto. Se você teve aulas de economia, você sabe que um mercado é representado por consumidores devidamente informados fazendo escolhas racionais. Você dá uma olhada na primeira propaganda e se pergunta … é esse o seu objetivo? Não, não é. Seu objetivo é criar consumidores desinformados fazendo escolhas irracionais. E estas mesmas instituições realizam campanhas políticas. É basicamente a mesma coisa: você tem que minar a democracia tentando fazer as pessoas mal informadas realizarem escolhas irracionais. E este é apenas um aspecto da indústria de RP. O que Herman e eu estávamos discutindo era outro aspecto de todo o sistema de propaganda que se desenvolveu embrionariamente naquele período, e que é a “fabricação de consenso”, conforme era chamado, [consenso] em relação às decisões dos líderes políticos, ou líderes da economia privada, tentar garantir que as pessoas tenham as crenças certas e não tentem compreender a forma como são tomadas as decisões que não apenas possam prejudicá-las, mas prejudicar muitas outras pessoas. Isto é propaganda em seu sentido normal. E então estávamos falando dos meios de comunicação em massa, e da comunidade intelectual do mundo em geral, que está em grande medida dedicada a isso. Não que as pessoas vejam a si mesmas como propagandistas, mas … que estão elas mesmas profundamente doutrinadas pelas crenças do sistema, o que as impede de perceber muitas coisas que estão ali na superfície, [coisas] que seriam subversivas ao poder se fossem entendidas. Nós demos muitos exemplos e existem muitos mais que você pode mencionar até o presente momento, exemplos cruciais de fato. Esta é uma grande parte de um sistema geral de doutrinação e controle que funciona paralelamente ao controle de atitudes e … compromissos consumistas, e outros dispositivos para controlar as pessoas.

Você mencionou os estudantes. Bem um dos maiores problemas para os estudantes hoje — um problema enorme — são os custos astronômicos dos financiamentos estudantis. Por que nós possuímos financiamentos que são muito maiores que os de outros países, inclusive que os de nossa própria história? Nos anos 50 os Estados Unidos era um país muito mais pobre do que é hoje, e ainda assim a educação superior era … basicamente gratuita, ou possuía taxas irrisórias ou eram gratuitas para um grande número de pessoas. Não houve uma mudança econômica que tornou isso necessário, agora, para haver custos tão altos de financiamento, bem maiores do que quando éramos um país pobre. E para esclarecer ainda melhor o ponto, se dermos uma olhadinha através das fronteiras, o México é um país pobre mas possui um bom sistema educacional com financiamento gratuito. Houve um esforço por parte do governo mexicano para aumentar os custos de financiamentos, há talvez uns 15 anos atrás, o que levou a uma greve nacional de estudantes com grande apoio popular, e o governo voltou atrás. Agora isto acabou de acontecer no Quebec, do outro lado da fronteira. Atravesse o oceano: A Alemanha é um país rico. Financiamento gratuito. A Finlândia possui o sistema educacional mais bem colocado do mundo. Gratuito… Praticamente gratuito. Então eu não acho que você pode usar a justificativa de que existem necessidades econômicas por trás do aumento econômico dos financiamentos. Eu acredito que são decisões sociais e políticas tomadas pelas pessoas que definem estas políticas. E [estes aumentos] são parte, a meu ver, da reação que se criou nos anos 70 contra as tendências liberalizantes dos anos 60. Os estudantes se tornaram muito livres, mais abertos, eles estavam protestando contra a guerra, a favor dos direitos civis, direitos das mulheres … e o país simplesmente se tornou livre demais. De fato, os intelectuais liberais condenaram isso, chamaram-na de uma “crise de democracia”: temos que moderar a democracia de alguma forma. Eles pediram por, literalmente, mais comprometimento com a doutrinação dos jovens, sua frase era … temos que garantir que as instituições responsáveis pela doutrinação dos jovens façam o seu trabalho, para que assim não tenhamos mais toda essa liberdade e independência. E muitas coisas se desenvolveram a partir disso. Não acredito que tenhamos documentação suficiente em primeira mão para provar relações causais, mas você pode ver o que aconteceu. Uma das coisas que aconteceu foi o controle dos estudantes — na verdade, o controle dos estudantes pelo resto de suas vidas, simplesmente prendendo-os à armadilha da dívida. Esta é uma técnica bastante eficiente de controle e doutrinação. E eu suspeito — não posso provar — mas suspeito que este é um grande motivo por detrás [do aumento dos financiamentos]. Muitas outras coisas aconteceram ao mesmo tempo. A economia como um todo mudou de formas significativas para concentrar poder, para acabar com os direitos e liberdades trabalhistas. De fato o economista que presidiu o Federal Reserve durante os anos Clinton, Alan Greenspan — St. Alan conforme era conhecido na época, o grande gênio da profissão econômica que estava administrando a economia, possuía altas honrarias — testemunhou orgulhosamente diante do congresso que o fundamento da grande economia que estava administrando era aquilo que ele chamava de “crescimento da insegurança do trabalhador”. Se os trabalhadores forem mais inseguros, eles não irão fazer coisas como exigir melhores salários e mais benefícios. E isso é saudável para a economia a partir de um certo ponto de vista, um ponto de vista que diz que os trabalhadores devem ser oprimidos e controlados, e de que a riqueza deveria ser concentrada nos bolsos de poucos. Então sim, isso é uma economia saudável, e precisamos aumentar a insegurança do trabalhador, e precisamos aumentar a insegurança dos estudantes por razões parecidas. Eu acredito que todas essas coisas se encaixam como parte de uma reação geral — uma reação bipartidária, incidentalmente — contra tendências liberatórias que se manifestou nos anos 60 e tem continuado desde então.

Wilson:
[Para finalizar, estou considerando se você poderia [terminar com algum conselho para os estudantes universitários da atualidade].

Chomsky:
Existe um sem número de problemas no mundo hoje, e os estudantes enfrentam um bom número deles, incluindo aqueles que mencionei — a falta de empregos, a insegurança e daí em diante. Por outro lado, tem havido progresso. A muitos respeitos as coisas são hoje muito mais livres e avançadas do que já foram … há não muitos anos atrás. Muitas coisas que se tratavam de verdadeiras lutas, de fato algumas inclusive mal eram mencionadas, digamos, nos anos 60, hoje são … parcialmente resolvidas. Coisas como os direitos das mulheres. Direitos dos gays. Oposição à agressão. Preocupação pelo meio ambiente — que não está nem um pouco perto de onde deveria estar, mas bem além dos anos 60. Estas vitórias da liberdade não surgiram como presentes do céu. Elas surgiram de pessoas que batalharam em condições piores às que existem hoje. Hoje há repressão de Estado. Mas isso não é nada comparado a, digamos, o Cointelpro nos anos 60. Pessoas que não sabem sobre isso devem ler e refletir para entenderem isso. E isso cria muitas oportunidades. Estudantes, você sabe, são relativamente privilegiados se comparados ao resto da população. Eles também estão em um período de suas vidas em que são relativamente livres. Isso provê condições para uma série de oportunidades. No passado, tais oportunidades foram aproveitadas por estudantes que estiveram na linha de frente das mudanças, e hoje eles possuem muito mais oportunidades. Nunca será fácil. Haverá repressão. Haverá reação. Mas é dessa forma que a sociedade avança.

Fonte: Anonymous FUEL

Drones indicam futuro de alta tecnologia para mineração, substituindo trabalho de humanos em áreas de risco

Cerca de 200 caminhões de transporte sem motorista já estão operando em minas de minério de ferro, principalmente na Austrália. Enquanto isso, a gigante da mineração Rio Tinto, que financia um dos maiores programas robóticos não militares do mundo, começará em breve a utilizar trens sem tripulação para transportar cargas para a costa e estabelecerá drones em voo em suas minas remotas.

Os drones podem monitorar estoques, mapear alvos de exploração, rastrear equipamentos e, no futuro, eles poderão entregar encomendas às oficinas, conforme a Accenture – e em um esquema muito à frente daquele previsto por Jeff Bezos da Amazon.com Inc., que deseja que um dia os livros e DVDs da Amazon sejam entregues imediatamente aos clientes por helicópteros em miniatura.

“Venha e me procure mais ou menos em outubro”, disse John McGagh, diretor de inovação da Rio Tinto em Brisbane, Austrália, onde os funcionários utilizam a maior tela de toque do mundo, que admite múltiplos conteúdos, para monitorar as operações de mineração de Utah a Queensland. “Você verá drones voando pelos ares. Não falta muito para isso”.

Dronas no Cooperativismo

Uma cooperativa autogerida estudou a possibilidade do uso desta mesma tecnologia de drones em uma sociedade anarquista até mesmo de robôs para a mineração podendo assim disponibilizar mão de obras para outros setores de uma comuna coletivista ou de livre mercado anti-capitalista livrando assim trabalhadores de trabalhos de auto risco de vida, diminuindo seu tempo de trabalho, aumentando o bem-estar social do trabalhador e ao mesmo tempo não faltando produtos nem gerando desemprego.

Drones, Robos e a tecnologia

Os avanços tecnológicos no desenvolvimento de drones e robôs ajudarão a criar as minas do futuro em lugares remotos como a Malásia, que poderão ser dirigidas a partir de salas de controle. Diversas empresas estão entre as mineradoras que estimulam os esforços para esta corrida global de automação altamente tecnológica, apostando que os novos equipamentos ajudarão a reduzir os custos e a melhorar os retornos, além de possibilitar que elas explorem depósitos considerados até o momento muito complexos ou muito perigosos para os humanos, imaginemos esta tecnologia combina a pesquisas de sustentabilidades e ecologia sendo aplicadas por cooperativas em uma comuna anarquista? Em certo ponto a tecnologia pode ser de grande eficiência na construção de uma sociedade mais justa, autônoma e igualitária.

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Bakunin e Proudhon, polar opostos?

Proudhon e Bakunin, tradicionalmente, representam dois lados diferentes da moeda da anarquia: o individualista e o coletivista. Enquanto Proudhon acreditava que o “Livre Contrato” é o objetivo da anarquia, Bakunin enfatizava a unidade coletiva como o libertador único do homem.

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Todavia, o abismo entre eles não era realmente tão grande como é compreendido por ser pelos anarquistas contemporâneos. Certamente não era tão grande quanto a lacuna entre anarquistas coletivistas e individualistas são hoje. Coletivistas contemporâneos geralmente se aderem a alguma forma de Comunismo de Conselho ou Economia Participativa, enquanto individualistas geralmente se inclinam em direção a adoração de mercado dos austríacos (Rothbard e Konkin) ou a boemia hippie da multidão “pós-esquerda” (Zerzan e Bob Black). Eu imaginaria que Bakunin e Proudhon teria aprovado nenhuma destas facções ou, pelo menos, teria tido algumas queixas sérias.

A partir do que li, os esquemas políticos e econômicos de Bakunin são formas mais similares daquelas de Proudhon do que daquelas dos anarco-comunistas. Bakunin acreditava em um sistema de mercado baseado na Teoria do Valor-trabalho, assim como Proudhon acreditava. Ambos tinham teorias sobre um Banco de Câmbio, embora não idênticas. Bakunin também herdou o federalismo de Proudhon. Em meu entendimento, é a ênfase na comunalidade, fazer decisão coletiva e ação coletiva que diferencia Bakunin de Proudhon, completamente separado das dicotomias modernas de “mercado vs comunismo”. Proudhon, embora sendo um apoiador de cooperativas de trabalhadores e de outros empreendimentos cooperativos, não se importava muito por “coletivismo por causa do coletivismo”, isto é, coletivizar uma indústria ou comércio que pudesse ser manuseado individualmente. Bakunin argumentava que trabalho coletivo “aumenta a moral” e é mais eficiente.

O apoio de Bakunin de um sistema de mercado distorce algumas concepções modernas do que é um “livre mercado”. Certamente, existe uma forma de troca e ainda existe salários na forma de notas de ordem de pagamento [N. T.: no original, labour notes], mas é um “livre mercado”? Parece mais como uma forma de democracia descentralizada e comunal social para mim. Alguma coisa interfere e controla a economia; a livre comuna, embora claramente não um “governo”. É um “livre mercado” simplesmente “trocas econômicas sem interferência governamental”, ou está atrelado às concepções das políticas econômicas libertárias de direita? Oh bem, uma coisa é certa; os debates circulantes de assuntos sem estado hoje não são representativos aos debates a respeito de assuntos sem estado no século 19.

O coletivismo bakuninista não é uma ideologia muito difundida hoje, muito embora ela é ainda citada e admirada. Os individualistas não se importam pela filosofia dele e os comunistas não se importam pela economia dele. As ideias de Proudhon viveram, de forma breve, na adaptação de William B. Greene de suas ideias sobre comércio bancário e nos Anarquistas de Boston, mas extinguiram no início do século 20. A falácia é para assumir que, por causa das ideias deles não são discutidas, as ideias não são relevantes.

Assume-se que Kropotkin “desbancou” o anarquismo coletivista de Bakunin em seu ensaio intitulado “The collectivist wages-system”, mas o fato é que não havia realmente ninguém da escola bakuninista para defender o mercado comunal publicamente, ao menos não em meu conhecimento. Então não é uma enorme vitória. Enquanto Proudhon, é adotado que Böhm-Bahwerk desbancou a teoria do valor-trabalho (aquele que nem abordou Proudhon), que Rothbard desbancou a teoria dele de banco mútuo, embora isso é uma vitória vã, uma vez que realmente não havia nenhum proudhoniano reconhecido para abordar estas críticas. E porque não havia ninguém para responder estas críticas post-mortem de Bakunin e Proudhon, espantalhos foram mais facilmente permissíveis.

Conforme o estudo da relação entre o coletivismo de Bakunin e o mutualismo de Proudhon, você obtém um senso mais profundo do contexto histórico do que você poderia obter por apenas assumir que Proudhon era um individualista laissez faire e Bakunin um comuna anti-mercado (apesar de eu enxergar de onde vieram essas ideias ). Proudhon e Bakunin eram ambos pessoas únicas e complexas e devem ser tratados como tal. Eles eram antagonistas às vezes, é verdade, mas eles compartilham mais um com outro do que com qualquer outra facção do anti-estatismo moderno.

Por Sushigoat
Traduzido por Rodrigo Viana
Via: Esquerda Libertaria

Anthony Cymerys

Anthony Cymerys é um barbeiro de 82 anos de idade, toda quarta-feira ele leva uma cadeira, sua maquina de cortar cabelo e uma bateria de carro para um local na praça de Hartford. Chegando lá ele conecta a maquina na bateria e oferece cortes de cabelos para os moradores de rua, a única coisa que ele cobra dos moradores de rua pelo corte de cabelo é um abraço.

Grafitando a subversão

Ao contrário do que muitos conservadores andam falando sobre grafite ser coisa de vagabundo e blá blá blá, para as pessoas que tem a mente mais aberta e que deseja uma mudança radical na estrutura vigente deve compreender que o grafite é uma importante arma política, sem seguidores e sem líderes muitos poetas e grafiteiros revolucionários mostram as pessoas através de seu trabalho o que elas não querem ver nem ouvir por conta de sua doutrinação e alienação pela ordem estabelecida e seus meios de comunicação de massa, o grafite é antes de tudo uma política útil como uma arma, o grafite é a primeira forma de revolta com escritas ou desenhos durante guerras, tumultos e revoluções, a economia em que vivemos é como uma disfunção de algum órgão que consequentemente condena o organismo como um todo, a revolução é o próximo passo.

Grafite (i)legal

No dicionário pode ver a descrição de grafite como “Desenho, inscrição, assinatura ou afim, feito geralmente com tinta de spray, em muros, paredes e outras superfícies urbanas.”, no entanto levando com um significado mais amplo no caso de dicionários mais antigos se tem a descrição também de um ato de propaganda seja ela de subversão a ordem política ou de propaganda de sua arte ou trabalho, sendo assim todo o desenho geralmente em muros, paredes e outras superfícies urbanas contendo um trabalho ou uma arte com mensagem política ou não é um grafite e esta arte não se limita apenas as leis ou a a arte “autorizada” pois grafite “legal” não é subversivo sabemos que grafiteiros usem seus trabalhos para ganhar dinheiro e nada tem de mal nisso afinal preciso sobreviver não? No entanto nunca desqualificando o grafite ilegal ou sem-autorização como gesto político pois como dizia Kidult “Eu não preciso de autorização para fazer a revolução,…Nem o grafite”.

Recuperação do espaço urbano

Existe então a recuperação portanto, em ambas direções, com o grafite usaremos os mesmos métodos de mídia e estratégia de marketing com o único objetivo de piratear as imagens das mega-corporações e subverter suas propagandas consumistas, a meta é tomar de volta o espaço tomado pelo “capitalismo-urbano” representado pelas multinacionais, promovendo o grafite livre e gratuito é possível levar uma mensagem clara, ele tentam estabelecer um grafite “legal” ou “autorizado” para conter a ação contro-versa e subversiva e esta não é a essência do grafite como meios de protesto e contestação social.

Pensem nisso😉

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Elysium, Eis o CyberPunk de 13

Hey meus camaradas voltei e como foi recomendado eu assisti o filme Elysium e sim entendi sua crítica social e também analisei seu enredo e atuação bora falar um pouco então …

O senhor Neill Blomkamp já havia chamado a atenção do público em outros filmes como por exemplo o Distrito 9 ao misturar metáforas políticas e morais em um cenário de ficção científica, no filme D9 era possível notar como diversos esteriótipos e a segregação nos países da África ainda era forte e como esta preconceito estava longe de acabar e no enredo do filme como isto piorou com a chegada dos alienígenas a terra.

O novo filme do diretor sul-africano, Elysium (2013), esquece os ETs, mas não o sub texto político.

O filme se passa no meio do século 22 e o cenário é bem parecido com o que vemos em filmes pós-apocalípticos como o desenho Wall-E e A estrada, no entanto os seres humanos ainda se organizavam em sociedade e mantinha um governo e polícias (mesmo sendo controlado por mega-corporações). Vendo o lixão que a Terra estava virando, os humanos criaram um satélite artificial onde poderiam viver em paz com seus gramados perfeitos, rodeados de pessoas lindas e, principalmente, saudáveis. Porém, este paraíso que dá nome ao filme tem seu preço e nem todos podem pagá-lo. Ao contrário da animação da Pixar, não é apenas um robozinho fofo que é deixado para trás. Toda uma população fica na Terra, sofrendo dia após dia nas mãos dos endinheirados que controlam as fábricas e seus robôs de diretrizes quase nazistas.

Olhar para aquelas ruínas que virou Los Angeles no filme é como espiar para além do muro dos condomínios de luxo que vemos hoje em muitas das cidades do Brasil e, claro, em outros países onde a distribuição de renda é desequilibrada.

Plano de fundo

O história se passa em um plano de fundo aonde o protagonista marginalizado e vivendo em um bairro periférico, do que antes era los Angeles, agora reduzida a ruínas, é submetido a trabalhos em condições precárias em uma grande empresa produtora de Polícias-Robos e corporações que agora tem os governos na mão pelo seu controle e poder sobre o acumulo de capital e a economia, nesta sociedade a desigualdade social alcançou nível alarmantes a os recursos naturais são extremamente escassos,a não ser para os ricos e milionários que vivem na Elysium, a população luta por sua sobrevivência vivendo em extrema pobreza e exploração.

Elenco

Não à toa, o elenco principal da Terra – exceção feita ao protagonista Matt Damon – é formado pelo mexicano Diego Luna (E Sua Mãe Também), o também sul-africano Sharlto Copley (irreconhecível como um mercenário) e os brasileiros Alice Braga e Wagner Moura. Em entrevistas recentes, os atores elogiaram o trabalho do diretor em buscar pessoas que entendiam bem o que era aquele cenário de pobreza onde os personagens viviam. Faz parte da sua bem bolada fórmula de mostrar ao mundo o que já está acontecendo hoje, bem debaixo de nossos narizes.

Observações

Os fãs de ficção científica e ação não terão do que reclamar, mas quem esperava um filme mais politizado no estilo mais “puro” do CyberPunk pode se decepcionar com o desfecho. Que o futuro da terra seja melhor do que Elysium.

Vamos parando por aqui, pois acho que já se saiu spoilers demais por hoje, esta é minha breve análise sobre o cenário político do filme da maneira segundo foi pedido, até mais e abraços😉

 

Voto-suga, puxadores de votos

Para quem não notou a ironia do Sangue-suga e “voto-suga” a vai uma dica, a democracia representativa elege pessoas despreparadas para assumir cargos importantes através de um uma parcela de população ignorante.

Essa semana diversos partidos políticos lançaram a candidatura de pessoas famosas ao público, entre ele temos cantores, atrizes, ex-bbbs, lutador de MMA e até ator porno e com isto é óbvio que estes determinados partidos ou seus membros contam que ignorância do povo em votar nas pessoas famosas para dar cargos na qual não estão qualificado para tal reproduzir o efeito “Tiririca”.

A democracia representativa é o pior modelo que já vimos depois das ditaduras que pode existir, ao contrário da ditadura ela transmite uma falsa sensação de liberdade aonde o povo pode teoricamente guia sua própria jornada.
Ao contrário que muita gente pensa, nós não escolhemos representantes e não, teóricos da conspiração, eu não estou falando em urnas e nem compra de votos.

Quem decide que vence e quem perde é a propaganda o Marketing e este Marketing é obtido ou até mesmo monopolizado por quem tem mais dinheiro portanto quem tem o maior acumulo de capital sempre vence.

Eles sabem que nós somos uma sociedade cega por estrelas, idolatramos ídolos como deuses e defendemos coisas que vão nos prejudicar e não ajudar alguém próximo por essa ofuscação.

O que escolhemos é o politico com melhor imagem criada pela campanha, não quem realmente vai mudar, pelas ideias ou pensamento.

Temos uma sociedade medrosa, ignorante e desunida.
Medrosa por ter medo da mudança e apenas caniça que nem um chihuahua com gripe.
ignorante por não saber o que é bom para ela, por defender de pé tudo aquilo que a afeta de forma negativa.
Desunida por não saber se conciliar, se dividir por besteira e muitas vezes se unir com o opressor.

Fonte: CBN, AnonFUEL

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Seja Alguém que exista, ter nunca será seu ser.

As duas imagens que você provavelmente achou mais “bonitas” são de pessoas que não existem. Não se sinta culpado(a). Você não é um ser humano pior por estar condicionado(a) a isso.
Cada um de nós, desde criança, é bombardeado de informações coordenadas, através de todas as formas de mídias, para criar uma concepção patronizada do que é “belo” e do que é “feio”.
Na era digital, o “belo” é fabricado por computadores, ele não é orgânico. Isso deixa você e a todos nós num estado constante de insatisfação consigo e fere nossa autoestima. Pessoas com autoestima prejudicada consomem mais e resistem menos.
Tudo o que você pensa ser bonito é irreal. E o primeiro passo para se libertar é admitir que está preso(a). Você não teve escolha. Nenhum de nós teve. Mas a partir de agora, você pode ter.
O outro caminho é retocar suas fotos e enchê-las de filtros, reproduzindo esses padrões para outras pessoas, e inventando um “você” virtual que não existe. E assim se sustenta uma rede de pessoas que sempre busca o inexistente e nunca está satisfeita. Pessoas se transformam em objetos de consumo e usam as redes sociais para fazerem marketing de si mesmas.
Desperte! Você é belo(a) do jeito que é. Você não precisa de “retoques”. Todo ser humano é um constante rascunho de si em recriação.
Aqui, somos todos(as) “fakes”, sem exceção. É intrínseco à digitalização, da escolha de uma foto preferida à seleção de ângulo e edições. Mas você pode remar contra a corrente.
Seja alguém que existe.

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